6 de Julho de 2009

Quinta eterna

Nada há mais monótono, depressivo ou desencorajador do que uma manhã cinzenta de quinta-feira. Da última vez em que tive um dia assim, não vi o dia passar. Não porque tenha sido rápido. Simplesmente, não passou, não empolgou, não nutriu, tampouco partiu. Pior que isso: ela se estendeu.

1 de Julho de 2009

Não nos calaremos ante o supremo




Aderi à campanha:













11 de Junho de 2009

EDUCAÇÃO É MAIS DO QUE ESTAR NA ESCOLA

Muito se fala sobre a educação e o seu papel no desenvolvimento do indivíduo e da sociedade. Os governos têm se preocupado em priorizá-la por meio de diferentes objetivos. Mas, que tipo de ações educacionais implementaram: qualitativas ou quantitativas?

Acordos com a Organização das Nações Unidas (ONU) prevêem a erradicação do analfabetismo, a qualidade no ensino e o fim da evasão escolar. São metas louváveis. Porém, o Brasil está longe de atingir esses objetivos, uma vez que – as ações não visam à educação das crianças e adolescentes, mas, sua escolarização. Segundo o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), em sua página eletrônica, houve cerca de 34 milhões de matrículas no ensino fundamental em 2004 e 10 milhões no ensino médio regular, com apenas 676 mil no nível técnico.

O número dos que ingressam no ensino fundamental é considerável; porém, muitos não concluem o ensino médio. As vagas nas escolas técnicas são insuficientes para a demanda de alunos que concluem o ensino fundamental. Grande parte dos que não tiveram uma formação técnica encontra maior dificuldade de inserção no mercado de trabalho.

A escola deveria ser o lugar onde os alunos aprendessem uma profissão, a relacionar-se com os outros e preparar-se para a vida adulta; pois, além da função pedagógica, a escola tem essa função social. Não faz muito, havia aulas de música, filosofia e oficinas profissionalizantes nas escolas de ensino regular, para citar alguns exemplos.
Em um mundo tão racionalista e violento, a música traria bons sentimentos para o jovem; conhecer uma profissão lhe daria a auto-estima e a segurança necessária para enfrentar desafios; e, ao refletir sobre o mundo em que vive, encontraria respostas às suas questões, ou o caminho para elas.

Talvez, o custo desse tipo de escolas seria insignificante, perto das possibilidades futuras, porque além de diminuir o analfabetismo, resolver-se-iam muitos problemas sociais como a falta de oportunidades e a violência desmedida.

Quanto ao número de matrículas, não pode ser interpretado como pessoas alfabetizadas por não representar a realidade da educação no Brasil. Hoje, é possível verificar um sem número de adultos que são analfabetos funcionais, lêem sem entender plenamente os significados e têm sua vida social prejudicada. Segundo estudos do INEP, a leitura dos alunos brasileiros é deficiente.

Os dados constam no relatório do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), encontrado na página do INEP. No relatório global Educação para Todos, divulgado em novembro de 2005 pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), o Brasil é comparado a países como Hungria e Polônia, quanto aos alunos matriculados; quando a qualidade de ensino é o parâmetro, o Brasil equipara-se a Zâmbia e Senegal.

Para um país em desenvolvimento, é muito pouco. Países mais pobres, como o Chile, investem mais em educação e são comparáveis à Espanha e à Coréia do Sul, por exemplo. Pode-se afirmar que, no Brasil, há uma preocupação maior com o número de pessoas estudando do que com a qualidade do ensino.

Além disso, a família – tão carente de instrução quanto os filhos – não pode contribuir de modo significativo na educação formal dos seus, deixando aos governos toda a responsabilidade pelo ensino. Não basta priorizar a escolarização, mas a educação. Existem bons exemplos a serem seguidos. Imprimir qualidade ao ensino é o que se deve fazer para que as crianças de hoje vivam em uma sociedade mais esperançosa, igualitária e humana, no amanhã.

31 de Maio de 2009

Susan Boyle não perdeu. Ela ganhou. E muito!

Há algum tempo escrevi o texto abaixo, que trata do fenômeno Susan Boyle como um fenômeno midiático. No texto, afirmo que não é apenas isso. Contudo, também é isso (que doideira)!

Embora tenha perdido o concurso, ela ganhou muito em notoriedade. E, por que não, nós também? Ganhamos muito ao ver alguém como ela. Segue texto escrito há algumas semanas:

Foto: hitnarede.com
Mais que imagem, o talento arrasta o público

Não vejo outra forma de explicar o "fenômeno midiático" (creio ser mais correto afirmar que se trata de um fenômeno musical, e por isso chamou a atenção) se não passar primeiro pelo fato daquela senhora ter um talento fora do comum.

Bem, talento a parte, inicio a análise do fenômeno pelo fenômeno. Uma vez que algo é curioso, inusitado ou inesperado, o interesse do público aumenta. De modo estereotipado, o público estava condicionado a enxergar pessoas como Susan Boyle um fiasco, seja qual for a situação a que estejam expostas.A balançada que ela dá na cintura logo após ter divulgado sua idade provoca risos na platéia e entre os jurados.

É uma imagem forte. Citando Ciro Marcondes Filho, a imagem é "o sentido mais preciso para sua (referindo-se ao homem) orientação". Sem envolver o talento (se é que isso é possível), o fato de ter ocorrido uma surpresa ao público, algo inesperado e que quebrou o mesmo estereótipo anteriormente criado, conduz com essa mesma força a busca desencadeada na rede mundial de computadores.

O fenômeno Susan Boyle se fortalece na medida em que os anônimos de talento de todo o mundo se realizam na fantasia de que poderiam ser elas as cantoras daquele palco, como afirmam Santaella e Nöth.

No momento em que ocorre a identificação, há também uma opinião formada, que no caso de Boyle foi a mais favorável possível.Susan quebrou paradigmas que os próprios meios e a sociedade impuseram aos seus programas formatados. As pessoas estão carentes de personalidades. As celebridades tomaram seu espaço.

Claro que pode ser mais agradável ou belo (e o conceito de belo é bastante discutível, especialmente nesse caso) ver uma celebridade como a jurada que aparece no programa, mas ouvir Susan nos faz pensar que ela é uma personalidade, independentemente de sua imagem. E, sim, é uma exemplificação do belo, tal qual uma foto de Sebastião Salgado.

2 de Maio de 2009

Piracicabano pode vencer prêmio de música erudita

Fonte: www.quintetovillalobos.com.br






Luís Carlos Justi integra o Quinteto Villa-Lobos, que está na final do Carlos Gomes.

Piracicaba terá um músico entre os finalistas do Prêmio Carlos Gomes de música erudita, uma das premiações mais importantes do país. A entrega dos prêmios será no dia 11 de maio, em um conhecido espaço artístico da capital: a Sala São Paulo.

Luís Carlos Justi toca oboé no Quinteto Villa-Lobos, que concorre na categoria de melhor conjunto de câmara. O grupo chega à final credenciado pelas turnês no interior do Estado do Rio de Janeiro, bem como os eventos realizados no Chile, Paraguai, Peru e Equador, em 2008.

Na Escola de Música de Piracicaba estudou com Ernst Mahle e José Davino Rosa. Na mesma escola, obteve o primeiro lugar do II Concurso Jovens Instrumentistas do Brasil, em 1973. Mais tarde, se aperfeiçoou na Escola Superior de Música e Teatro de Hannover, Alemanha, pelo DAAD, Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico.

Justi é doutor em música com a tese Uma visão da interpretação em Villa-Lobos – o Duo para oboé e fagote. É diretor artístico do Festival de Música de Câmara de Caxias do Sul e do Festival Internacional de Música Brasil-Alemanha, um convenio da Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) com a Escola Superior de Música de Karlsruhe, Alemanha.

Além de Justi, o quinteto conta com os professores universitários Antonio Carrasqueira, flauta; Paulo Sergio Santos, clarinete; Philip Doyle, trompa; e Aloysio Fagerlande no fagote. Este, assim como Justi, é doutor em música com uma tese sobre Villa-Lobos. “Assim, somos dois "doutores" em Villa-Lobos no QVL”, ressalta o piracicabano.

21 de Abril de 2009

Ronaldo e a águia

Fonte: SXC
Será que alguém mais além dos corintianos acredita que ele volta à seleção?

Pois se há cinco meses só a fiel torcida acreditava, hoje a história é bem diferente. Tal como a águia, Ronaldo mostra sua capacidade de recuperação.

A águia vive cerca de 70 anos, assim como alguns dos humanos. Contudo, elas enfrentam um desafio imenso ao chegarem à metade de sua vida. Isso porque seu bico e garras se encurvam de tal modo que a caça fica impossibilitada.

Diante da situação adversa, ela tem duas opções: morrer de fome ou quebrar o bico, esmurrando-o nas rochas, bem como com as garras.

Elas escolhem a segunda opção. O processo é doloroso; mas, terminado, eis que surge uma nova criatura. Da mesma forma, muitos de nós temos momentos cruciais em nossa vida. A atitude em relação ao problema é o que vai determinar nossa sobrevivência.

Ronaldo não está novo ainda, mas o processo de renovação está quase concluído. Quem sabe com um título!

29 de Março de 2009

Quem se engana com Obama?

Fonte: sxc.hu
Um negro com idéias neo-liberais. Não que um negro não seja a pessoa ideal para liderar o mais poderoso entre os países deste planeta, mas a cor da pele não significa nada se as atitudes não forem condizentes.

Menos de dois meses no poder e ele já anunciou a ida de milhares de soldados yankees ao Afeganistão. Luta pela liberdade? Defesa dos ideais democráticos? Só se for para os interesses dos norte-americanos.

Ah, e tem mais: ele não é um Messias. É apenas mais um americano. E como americano (dos Estados Unidos) ele também adora uma guerra. É uma coisa arraigada no DNA daquele povo.

A indústria bélica precisa de uns trocados. Seria essa tática uma maneira de driblar a crise?

Todos sabem: Para resolver crises econômicas, faça a guerra!


Lula tinha razão, esse rapaz precisa de inteligência divina, ou fará tolces maiores que as cometidas por Bush.

1 de Fevereiro de 2009

Brasil: Um país de todos!

Autor: Alex de Souza - Ponte Antártica, SP
Um prefeito queria construir uma ponte e chamou três empreiteiros:

um japonês, um americano e um brasileiro...

- Faço por US$ 3 milhões - disse o japonês:
- Um pela mão-de-obra.
- Um pelo material.
- E um para meu lucro.

- Faço por US$ 6 milhões - propôs o americano:
- Dois pela mão-de-obra.
- Dois pelo material.
- E dois para mim... mas o serviço é de primeira!

- Faço por US$ 9 milhões - disse o brasileiro.
- Nove paus? Espantou-se o prefeito. Demais! Por quê?
- Três para mim.
- Três para você.
- E três para o japonês fazer a obra.
- Negócio fechado! Respondeu o prefeito.

30 de Novembro de 2008

Globalização: Uma visão otimista! Uma visão humanística!

Autor: SXC
"Agora que estamos descobrindo o sentido de nossa presença no planeta, pode-se dizer que uma história universal verdadeiramente humana está, finalmente, começando.

A mesma materialidade, atualmente utilizada para construir um mundo confuso e perverso, pode vir a ser uma condição da construção de um mundo mais humano.

Basta que se completem as duas grandes mutações ora em gestão: a mutação tecnológica e a mutação filosófica da espécie humana" (SANTOS, 2000:174).
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SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço: Técnica e Tempo / Razão e Emoção. São Paulo, Hucitec, 1996.

20 de Novembro de 2008

A dominação continua: Zumbi é o verdadeiro mártir da liberdade!

Autor: Alex de Souza
Muitas cidades brasileiras “comemoram” no dia 20 de novembro o feriado da “Consciência Negra”, mas será que há o que celebrar?

Primeiramente, é bom que saiba de onde é que essa data saiu. Se existe um nome apropriado para esse dia, talvez seja “Dia de Zumbi”. Contudo, a imposição de um nome como o que se escolheu só demonstra a dominação e alienação que as elites brancas tentam impor aos afro-descendentes.

Zumbi foi líder da resistência no Quilombo dos Palmares. Lutou pela liberdade dos escravos e organizou uma comunidade que "ameaçava a ordem" constituída. Ao contrário de Tiradentes, que a história imortalizou como mártir da Independência, Zumbi foi o maior símbolo de liberdade que já existiu.

Recentemente, se exaltou a eleição e o triunfo de certo primeiro presidente negro da história de um determinado país que existe por aí. Ao contrário de um indígena de outro país (este sim, comprometido com uma causa), aquele é apenas um invólucro ébano de pensamentos brancos, sionistas e liberais.

Não é a cor da pele que determina se fulano é bom ou não. Há pessoas honradas bem como há cafajestes em toda casta, raça, nacionalidade e tribo. Contudo, aceitar a dominação imposta enfraquece o caráter de qualquer desses indivíduos.
Deveria existir o “Dia da Consciência Branca” (ao menos seria uma tentativa para que eles adquiram uma), porque se há alguém que necessita de uma, esse é o branco.

O povo preto (isso não é depreciativo, basta consultar os significados dos termos preto e negro em qualquer dicionário para entender que essa é mais uma forma de dominação e alienação) não precisa [somente] de homenagens, mas oportunidades iguais.

3 de Novembro de 2008

Truste à vista!

Divulgação
Há poucas semanas os bancos divulgaram seus maiores resultados em anos. Aliás, os banqueiros devem agradecer ao governo Lula por sua benevolência para com as classes mais extremas: os miseráveis e os "qualquer cifra nários" que controlam tais instituições.

Contive-me, e nada escrevi sobre seus lucros. Contudo, a notícia que veio dos bancos Itaú e Unibanco causou um prurido descontrolável em minhas mãos. A chamada "fusão" de dois dos três maiores bancos privados concentrará ainda mais o poder que já detinham em separado.

Chamem do que quiser. Nomearei como truste esse movimento globalizante e predatório. Pois qualquer associação de empresas que se constitui de modo a formar uma organização única, com o fito de controlar um segmento e determinar a oferta de produtos (é importante frisar que os bancos não produzem absolutamente nada! não passa de agiotagem legalizada), deve ser classificada como é: TRUSTE!

Isso é péssimo para a economia, para os clientes dos dois bancos e para o país. Se há poucos anos havia opções inúmeras para a população, hoje temos um quadro de concentração perigoso e nocivo. O Banco do Brasil já esboça a incorporação da Nossa Caixa, embora muitos neguem.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) já cobrou um posicionamento dos bancos a esse respeito. O órgão é responsável pela aplicação da lei antitruste, nº 8.884, que pode ser consultada acessando: www.consumidorbrasil.com.br/consumidorbrasil/textos/legislacao/atruste.htm

A imprensa (sempre ela) batiza o movimento dos bancos como "louvável", "injeção de ânimo" para a economia e exalta sua grandeza, uma vez que estará entre os 20 maiores do mundo. O que a imprensa não divulga é que com isso o abismo entre os 50 milhões de miseráveis e o 1% de pessoas mais ricas do Brasil, entre os quais, os Setúbal e os Moreira Salles.

Aplaudir tal união é comemorar o casamento de Flora e Odete Roitman. O Bradesco? Não é nenhuma santa. Até hoje o processo da compra do BCN se arrasta. Da compra do Real pelo Santander todos se lembram. Ou já se esqueceram? E o Banespa? E qual será o próximo...

1 de Novembro de 2008

Eloá, Liberdade de imprensa e as armas de Saddam

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Não dá para falar de imprensa sem falar em formadores de opinião. A sociedade usa da imprensa para obter informações que não pode conseguir de outra forma, e é a partir desta que ela forma sua opinião. O problema é que nem sempre a imprensa reporta o que é mais importante.

A grande imprensa não se interessa por detalhes que não dêem audiência.

Stedile critica duramente esse comportamento ao afirmar que existe uma fábrica de “manipulação de consciências” em que “a imprensa se mesclou com o império das corporações. Hoje, estabelece uma relação inseparável de total promiscuidade com o grande capital” (2005:16). Resultado da distribuição dos meios de comunicação, em que a maior parte se encontra nas mãos de oligopólios formados por grandes empresas que nada tem que ver com a prática do jornalismo.

Tais corporações, ou instituições, tendem a ditar o que é ou não é notícia.

Segundo Arbex (2005), esse era o tipo de relacionamento entre o governo militar e a Globo, que ignorou enquanto pode o movimento popular Diretas Já. Não era interesse da Globo, porque não era, obviamente, de interesse da ditadura militar. No exterior, a situação é semelhante. Em 2000, a America On Line incorporou a Time-Warner, HBO Cartoon Network e a rede de televisão CNN. Não há dúvida de que a linha editorial dos veículos foi alterada para satisfazer os critérios de seus novos donos.

Stedile (2005) ressalta a importância da democratização dos meios, pois sua função é servir como instrumento de informação cultural, debate e a crítica. Mas Abramo APUD Arbex (2005) desacredita a democratização ao afirmar: “em quarenta anos de jornalismo, nunca vi liberdade de imprensa. Ela só é possível para os donos do jornal” (2005:168). Arbex (2005) destaca que essa liberdade promove a divulgação massiva de notícias que venham a enriquecer seus donos por seu valor como mercadoria. São as notícias bombásticas e espetaculares.

Ele chama esse fenômeno de “showrnalismo” e recorda-se dos casos da atriz brasileira Daniela Perez, assassinada pelo autor Guilherme de Pádua, com quem trabalhava em novela da Rede Globo, e do julgamento do ex-jogador de futebol americano e também ator O. J. Simpson, acusado pelo homicídio de sua esposa e um amigo. Os dois casos tiveram ampla repercussão na imprensa do Brasil e dos EUA.

No caso de Daniela, exemplo mais próximo da nossa realidade, existe o que existe a “novelização” do caso. Daniela e Guilherme executavam papéis de personagens muito próximos. Quando do crime, a imprensa cobriu o assassinato de modo a misturar ficção e realidade, tratando o acontecimento como espetáculo, e os níveis de audiência tiveram alta surpreendente.

Assim, a imprensa da época, sobretudo a televisão, cristalizou a imagem da mulher-atriz, assassinada na vida real e com sua vida “encurtada” na trama. Criou-se um estereótipo que Barthes APUD Arbex, (2005) define da seguinte maneira: “O estereótipo engessa, estigmatiza, aniquila o ser ou a coisa que ele nomeia. O estereótipo é capaz de petrificar até mesmo aquela que deveria ser a mais livre, imaginativa e desejável entre todas as relações humanas: o amor entre dois seres” (2005:87).

Caso ainda mais próximo ocorreu neste ano, na cidade de Santo André, Grande São Paulo. A jovem Eloá Pimentel foi assassinada após ter sido mantida em cárcere privado por seu ex-namorado, Lindemberg Alves. Da mesma forma que em outros casos, houve interesse no espetáculo que a notícia causou.

Lanyi (2008) compara a atuação da imprensa a uma arena onde leão e vítimas lutam incessantemente, sempre sob o olhar do público. Ao invés de ajudar, a imprensa atrapalhou as negociações da polícia com o seqüestrador, uma vez que ele acompanhava pela TV tudo o que acontecia fora do apartamento onde mantinha Eloá, bem como todo o Brasil.
Para Hoineff , a atuação da mídia foi um desastre, pois

“revela menos sobre o seqüestro do que sobre a própria mídia. O seqüestrador não tinha antecedentes e estava tomado pela emoção. Tornou-se um assassino pela sua inabilidade em lidar com uma situação circunstancial. A televisão, porém, essa incentivou – e provocou – o assassinato. A mídia tinha inúmeros antecedentes – e estava movida pela cobiça. O seqüestrador vai passar alguns anos numa penitenciária, apanhar bastante, (...) e ser devolvido para a sociedade inutilizado. A mídia, nesse período, já terá tirado proveito de várias dezenas de casos semelhantes. Para os programas policialescos, o caso de Santo André será na melhor das hipóteses lembrado como um número. Um bom número que só interessa ao Comercial” (2008:1).

Ele também critica duramente a impunidade desse tipo de jornalismo, que busca audiência antes de tudo. Classifica como um mau jornalismo, cuja atitude é movida pela perversidade de considerar o telespectador como simples consumidor. O caso Eloá foi transmitido da mesma forma que se faz com o episódio final de uma série de TV, uma novela, ou um drama hollywoodiano. Por um momento, a comparação com o Big Brother seria perfeitamente possível, pois o desconhecido Lindemberg, preterido por Eloá, tornou-se nacionalmente conhecido e detestado.

Para retomar o raciocínio de Arbex, é importante frisar que em poucos meses quase ninguém se lembrará dos detalhes do caso Eloá. Da mesma forma que poucos se recordam o que aconteceu no dia 9 de novembro de 1989. Segundo Arbex (2005), correspondente da Folha de S. Paulo à época, a manchete do dia destacou a cassação da candidatura de Sílvio Santos à presidência da república. A manchete sobre a queda do muro de Berlim, o assunto mais importante do dia, foi jogada para o pé da página.

E a televisão, ao invés de explicar, apenas mostrou as cenas do muro sendo derrubado, jovens felizes pelo seu feito e pessoas atravessando a barreira que antes fora quase intransponível. O que fica na mente das pessoas são esses flashes, uma reconstrução da história da maneira que a imprensa registrou os fatos. O mesmo se dá com a Guerra do Golfo, 1991, promovida pelo presidente dos EUA, George Bush – pai. As cenas dos combates aéreos mostradas ao vivo pela Cable News Network (CNN) lembram mais um filme de guerra ou jogo de vídeo-game do que a própria guerra.

As imagens elegidas não continham sangue, morte de civis iraquianos, sequer as dificuldades dos próprios soldados americanos, mas a angulação se deu na medida em que imagens espetaculares eram oferecidas. É o que Debord APUD Arbex, (2005) chamou de Sociedade do Espetáculo, que é o estágio final da sociedade de consumo. Não importa o porquê dos fatos. Da mesma forma que poucos se lembram dos motivos da guerra, poucos vão se lembrar das supostas armas químicas do Iraque.
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ARBEX JR, José. Showrnalismo: a notícia como espetáculo. São Paulo, Casa Amarela, 2005.
HONEIFF, Nelson. Quem matou Eloá? Disponível em: Acesso em 01 nov. 2008.

LANYI, José Paulo. Por que tudo acabou mal. Disponível em: Acesso em 01 nov. 2008.

STEDILE, João Pedro. Prefácio. In: ARBEX JR, José. Showrnalismo: a notícia como espetáculo. São Paulo, Casa Amarela, 2005.

25 de Outubro de 2008

Corinthians: Com seus amigos, de volta ao seu lugar!

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O sofrimento durou pouco mais que 300 dias. Na verdade, não durou sequer 11 meses. Hoje, no Pacaembu, o Sport Club Corinthians Paulista retornou à principal divisão do futebol brasileiro.

Além da paixão, que toma conta de todos os torcedores (entre os quais estou eu), é importante tirar lições para a vida dessa história toda. Afinal, o que é o esporte senão um exemplo a ser seguido na vida?

Tiro disso duas principais lições: primeira, "nada é o fim do mundo"; segunda, "é preciso reconhecer erros, deixá-los e planejar o futuro". Foi o que o Corinthians fez.

Em dezembro do ano passado eu quis morrer! Não literalmente, mas como queria! Como tantos outros, pensei ser o fim. Não era. Alguns tombos nos fazem repensar a vida e o que estamos fazendo com ela.

Passado o susto, é necessário avaliar a situação. Foi o que aconteceu. Um bandido foi deposto, uma nova atitude colocada em prática e o resultado todos conhecem.

O pior de todos os erros não é aquele que cometemos, mas aquele que não enxergamos. Felizmente, o Corinthians tem hoje amigos de seu lado, não exploradores. Graças a esaa amizade, estamos hoje de volta à elite.

Vai Corinthians! Voa alto! Viva sempre!


18 de Outubro de 2008

O que é o amor?

Há momentos em que nos deparamos com situações que nos fazem pensar no propósito da vida e como somos frágeis.

O desfecho do caso da menina Eloá, ferida gravemente por seu ex-namorado, que não aceitou o fim do namoro, nos leva a pensar se isso pode ser considerado amor. Creio que não.

Nada justifica uma atitude como essa. O amor não é egoísta, mas liberta. O que nos leva a concluir que amar exige maturidade. Infelizmente, isso faltou ao casal. Amar não é simplesmente ter domínio sobre alguém, como no caso deles.

Amar é um compromisso para com outrem que visa apenas o seu bem-estar. É difícil conceituar, mas entendo desse modo.

A maior dádiva que recebemos foi o dom de viver. O verdadeiro amor nos faz sentir vivos, não o contrário. Quando amamos, desejamos o bem do outro, e que viva – ainda que não seja ao nosso lado.

12 de Outubro de 2008

E agora, neoliberais?

Aos que pregam o "Estado Mínimo", basta ler as notícias sobre a atual crise para perceber que o Estado deve estar presente. Não foi o Estado que causou a crise, mas a sua ausência e entrega de suas responsabilidades ao assim chamado "mercado."